domingo, 20 de novembro de 2011

Olhinhos bem cuidados!

olhinhos_bem_cuidados1Levar a criança ao oftalmologista desde cedo é indispensável para evitar problemas que, em casos graves, podem chegar até à cegueira 
Aos 3 anos de idade foi a primeira vez em que a pequena Viviane, 4 anos, visitou o oftalmologista. “Eu não conhecia o teste do olhinho e a minha filha não fez o exame na maternidade”, comenta a assistente de artista plástica Isis Iga. Apesar de ter extrema importância na prevenção de doenças oculares em crianças, a maioria dos pais desconhece o teste do reflexo vermelho, conhecido como “teste do olhinho”, e, por isso, não exige a realização do exame quando a criança nasce.
Cerca de 80% dos casos de cegueira poderiam ser evitados com o diagnóstico precoce dos problemas, segundo dados do Ministério da Saúde. Desde junho de 2010, o teste do olhinho deve ter cobertura obrigatória de todos os planos de saúde, porém somente em alguns estados do país é exigida a obrigatoriedade em hospitais públicos. “O teste é simples, feito com um oftalmoscópio, um tipo de lanterna, para observar a retina, localizada no fundo do olho da criança. Por ser rica em vasos sanguíneos, a retina apresenta reflexo vermelho. Quando o bebê tem algum problema nos olhos, o reflexo é branco”, explica o oftalmologista José Henrique Tamburini.
Simples e indolor, o exame é capaz de detectar doenças que podem levar à cegueira se não diagnosticadas e tratadas precocemente. A catarata infantil, por exemplo, é responsável por cerca de 20% dos casos de cegueira ou baixa visão. “Além da catarata, com o teste é possível avaliar possíveis tumores e outras malformações”, acrescenta a oftalmologista Luciene Alves da Silva Santos.
O teste do olhinho deve ser feito logo ao nascer e novamente aos 6 meses de idade, em consulta de rotina com o oftalmologista. “Repetir o exame é importante para acompanhar o desenvolvimento do olho do bebê, prevenindo tumores como a retinoblastoma, um tumor raro que acomete crianças. Se, com 6 meses, o teste indicar que os olhos estão saudáveis, repete-se com 1 ano, idade em que é possível detectar também os erros de refração (problemas de grau)”, revela Luciene. O exame precisa ser refeito anualmente até a criança completar 7 anos de idade, período em que o núcleo da visão no cérebro termina de se formar.


Afaste esse risco
Assim como os adultos, as crianças precisam visitar o oftalmologista para uma consulta de rotina todo ano. “A oftalmologia evoluiu muito e o resultado tem sido satisfatório se o problema for diagnosticado precocemente”, informa Tamburini. Saiba mais sobre as doenças que podem afetar os olhos durante a infância:
- Catarata: pode ser congênita, quando a criança já nasce com o problema, ou aparecer algum tempo depois. É a opacificação do cristalino, lente natural e transparente, dentro do olho, que tem a função de focalizar os objetos. É uma das principais causas deolhinhos_bem_cuidados2cegueira infantil que pode ser tratada e tem prevenção. “O tratamento é cirúrgico, geralmente feito após os 6 meses, com implante de lente artificial no lugar do cristalino. Depois de um tempo, é preciso trocar o implante, pois o olho da criança vai crescer”, explica Tamburini.
- Glaucoma: um em cada dez mil bebês é portador de glaucoma congênito, que se caracteriza pela pressão intraocular alta e, se não tratado a tempo, pode levar à cegueira. “O glaucoma infantil não é silencioso como no adulto; manifesta-se com sinais claros. Geralmente, a córnea é branca e o globo ocular protuso. Um pediatra é capaz de detectar o problema na criança”, afirma Luciene. O tratamento envolve cirurgia e uso de colírios.
- Retinoblastoma: tipo de tumor mais comum em crianças, tem origem genética e em 40% dos casos é hereditário. Pode ser congênito ou aparecer durante os três primeiros anos de vida e os sintomas mais comuns são estrabismo e reflexo branco na pupila. Quando detectado no início, há grandes chances de cura com o paciente preservando o olho e a visão.
- Estrabismo: caracterizado por olhos desalinhados, atinge de 2 a 5% das crianças. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica, até os 3 meses de idade é normal o bebê desviar os olhos, porque ainda não “aprendeu” a enxergar. Porém, a partir dos 6 meses, não deve mais ser algo permanente. “Quando a criança apresenta estrabismo, é preciso levá-la ao oftalmologista antes mesmo dos 6 meses, para que se faça a correção com tampão”, diz Luciene.
- Erros de refração: são os “problemas de grau”, como miopia e hipermetropia. “É importante detectá-los desde cedo, pois, se diagnosticados tardiamente, não têm tratamento e permanecem para o resto da vida. Quando detectado o grau da criança, o tratamento é feito com óculos ou tampão, para estimular a visão”, salienta a especialista.

Fique de olho!
Caso algum sintoma surja nos olhos do bebê, o médico deve ser consultado imediatamente. “Os pais devem ficar atentos ao comportamento da criança: se ela coça demais os olhos, se chega muito perto da televisão, se há vermelhidão ou secreção”, ensina Luciene.
Um dos problemas comuns e de menor gravidade é a conjuntivite, infecção por bactéria ou vírus, transmitida por contato (quando a criança leva as mãos aos olhos, por exemplo). “A doença não traz problemas graves, só afasta a criança do convívio social por um tempo e é facilmente tratada com colírios”, destaca a oftalmologista.


Nossas fontes
José Henrique Tamburini é oftalmologista e médico ortomolecular, especialista em oftalmologia pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia
Luciene Alves da Silva Santos é oftalmologista do Banco de Olhos de Sorocaba (BOS)

fonte: www.namochila.com

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